Nossa tolerável Insatisfação! [Post pré-Natal]

Eu sei que não é o melhor assunto para se escrever no Natal, mas estive lendo e refletindo sobre duas coisas, especificamente. A dor e o suicídio (A Marquetti adoraria ler esse meu post ;)). Talvez os temas possam estar ligados entre si, talvez não. Vou tentar separar minhas idéias em dois posts, mas veremos como fica, e depois digo o q fiz!

Primeiro, relendo antigos textos de Nasio (fortemente influenciada pelo curso de saúde mental, bem como a futura psicóloga residente da rep. Elas), surgem questionamentos que os coloco também aos leitores: por que temos dor, da onde vem essa dor, e como ela se vai. Alguns meses atrás achei uma comunidade no Orkut que chamou a minha atenção (o que não é difícil, já que tem dias que todas as comunidades do Orkut me chamam a atenção), e ela se chamava ‘Complique sua vida: Ame!’. Vi como qualquer outra comunidade, mas de uns tempos pra cá percebi que ela não poderia fazer mais sentido. Era e é a mais pura verdade. Não digo apenas o amor entre homem e mulher, mas qualquer tipo de amor complica-nos. O da família, do amado, de si mesmo, de seu corpo integro, o lugar que cresci, o filho, os bichinhos de estimação, amigos e entes queridos, entre muitos outros. Claro, alguns mais, outros bem menos, mas sempre nos resulta em uma coisa: dor.

Dor porque quanto mais se ama, mais se sofre, e isso é fato. Basta um minuto e a dor é formada, uma ruptura de um laço íntimo, uma perda inevitável e irremediável, nos leva a uma dor incontrolável, um desespero, uma angústia. Dor porque mesmo acreditando, sabemos que não voltaremos a falar, a tocar e olhar para o amado (leve em consideração qualquer amado possível). Uma perda. O luto. Dor por que amamos, e amamos o que um dia a gente foi, o que a gente é, e o que queremos ser. Amamos nosso passado, presente e futuro, e de uma forma ou de outra, essa é a maneira encontrada de mantermos conectados com todas as fases de boas recordações de nossas vidas. E quando o amado é perdido, perdemos junto aquilo que mantinha nossas recordações, anseios e desejos vivos. E dói, mas dói tanto principalmente não saber o que fazer comigo mesmo. Por perder os pilares que me mantinha em pé. Que ao menos pensei que me mantinham.

E sofremos pelo medo do esquecimento, a única forma de manter vivo aquele que já se foi. Dói por que nos ocupamo-nos incansavelmente e inteiramente de mantê-lo vivo dentro de nós e de jamais substituir aquele que nos retornou as boas lembranças. É preferível a dor que a perda do amado, mesmo sabendo uma perda irremediável. Eu recuso a aceitar a perda real daquele que ainda está vivo (dentro de mim).

“O amado cujo luto devo realizar é aquele que me satisfaz parcialmente, torna tolerável minha insatisfação e recentra meu desejo” (Nasio). É aquele que recentra meu desejo, e nunca me satisfaz totalmente, por que essa busca inalcançável, esse desejo da satisfação completa, esse querer querer sempre mais, é isso o sinônimo da vida. Aquele que nos assegura a indispensável insatisfação é o mesmo que nos dá o gostinho da vida, é o eleito de cada um, é o que um dia, se ocorrer, sentiremos dor, relutando durante o próprio luto a sua perda.

Mas a dor possui um sentido. Quando aprendemos a reservar o espaço do amado perdido, e manter simultaneamente um novo eleito, entendendo que ambos podem coexistir, é aí que a dor nos transforma, e que finalmente nos obriga a reconstruir-nos. Que nos ajuda a compreender o sentido da vida, da perda e da renovação perante novos laços.

E nesse texto, apenas “Tentei dar sentido a uma dor, que em si só não tem sentido nenhum” (Nasio).

O texto todo foi baseado numa leitura recente de “O livro da dor e do Amor”, de J.D. Nasio. FicaDica ;)

PS. Estive pensando que ironia esse nome do meu blog. Percebo que de sorrisos largos é o que eu menos falo aqui. Espero que os próximos posts sejam absolutamente e puramente sorrisos larguíssimos para os leitores.

PS2. Um texto meio bipolar vermelho e verde pra comemorar o Natal =)).

PS3. Apesar do tema meio triste, hoje é natal e eu to feliz ê ê. Só queria escrever sobre aquilo em que eu estava pensando fazia uns dias.

Um Feliz Natal a todos, em ótimas companhias, ao lado de todos os amados que mantém integra a nossa tolerável insatisfação, a mesma que nos dá o gostinho da vida.


Um Bjoo! Abraços apertados e sorrisos largos!

Comentários

  1. Amar dá trabalho...
    Amar é complicado...
    Tô ficando muito confusa...

    Mas no fundo no fundo, acho que amar é mais simples do que parece, a gente é que complica tudo...

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