De esquerda

Todo destro que já passou uma semaninha de gesso, sabe a dificuldade de cumprir seus afazeres diários de esquerda. Agora tente por 4 semanas. É o tempo que estou. Completarei essas 4 semanas amanhã, e sinceramente, a sensação de tentar fazer as coisas mais fáceis e bobas, como se vestir ou picar algum alimento no seu prato, é de incapacidade.

A verdade que se descobre é que somos todos tão pequenos.

E não só de braço esquerdo estou vivendo ultimamente, mas também mudei de lado no serviço de saúde. De profissional para paciente. De visita hospitalar para internado. E aí entende que até um braço quebrado pode lhe fazer muito mal se você estiver sob ação de fortes medicamentos. Entende também que mesmo todos os serviços serem SUS, a diferença de um para outro é gritante, e que o respeito por parte de seus funcionários e autoridades hospitalares é o que faz a maior diferença dentre eles. Aguardar em pé a consulta, e ao entrar no consultório, verificar que não existe uma cadeira para ser atendido é fazer do paciente (ortopédico, portanto quebrado) palhaço frente ao sistema de saúde. Oferecer dipirona para pós-operados é piada de mau gosto.

E chegar em casa e estudar como esses serviços deveriam ser é ter vontade de rir e chorar frente a grande mentira da saúde pra muitos locais, infelizmente, ainda em funcionamento. E nas unidades básicas de saúde, sentir-se humilhado pela maneira irônica de certos profissionais faz-me sentir injustiçada por pessoas tão despreparadas ocupando vagas e tratando usuários de maneira, que eu, particularmente, sei que nunca tratarei nenhum com tamanho desrespeito. Espero, sim, que esses profissionais se vejam, ao menos uma vez na vida, tratados com igual desrespeito ao qual fui tratada, e que acordem depois disso para melhor atender. Não apenas na saúde isso ocorre, mas a grande maioria dos profissionais de todas as áreas não fazem bem o que fazem.

Deixo aqui minha indignação frente ao profissionalismo nada profissional. Ainda dependente deles, espero que termine minha recuperação sem seqüelas do SUS.

Comentários

  1. Voltei! Voltamos todos um dia, uma hora, não é?
    Gostei muito do post. Passei por problemas muito parecidos ano passado, entre setembro e outubro. E não sei mais o que fazer em relação ao sistema, essa é que é a verdade. Um beijão e melhoras aí, menina!

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