Sobre o tempo...

Sobre o tempo. Não me refiro aquelas frases já prontas que sempre vemos em Nicks de msn’s alheios por ai, sobre o passado, o presente e o futuro, junto com aquele famoso ‘viva hoje, por que amanhã é tarde demais e bla´blá blá’... E muito menos no tic TAC a cada segundo de nossos relógios. Mas você já parou pra pensar o quão diferente o tempo passa, os tais dos mesmos 60 segundos cronometrados. Me recordo quando eu era bem pequena, uma miniatura de gente, e costumava brincar o dia inteiro, cada dia era uma viagem diferente, ia do quarto pro Japão, passava por vulcões, monstros perigosos, rios de lava, pulava, voava, e mal sentia o tempo passar. Na escola, o recreio de quinze minutos dava pra comer, ir ao banheiro, brincar de pega-pega, fofocar, fazer lição, responder a cadernos-questionários, comer mais um pouco, tomar uma água, correr, e ufa... ainda restavam alguns minutos. Dava pra eu contar minha vida inteira nesses quinze minutos, claro, tudo bem, não tinha muito o que contar também. Daí vamos ficando mais velhos, chega o ensino médio, e por algum motivo os intervalos de 20 minutos parecem bem menores. Normalmente passamos o intervalo apenas conversando, ou fazendo exercícios atrasados, mas acaba tão rápido. Isso sem contar que descíamos pro intervalo 5 minutos mais cedo e voltávamos 5 mais tarde. E nos dias atuais, parece que o relógio está acelerado, desregulado. Acordo e tenho a impressão de que já estou cansada, e passam algumas horas e já é hora de dormir. O intervalo de meia hora não dá pra fazer nada! São quilos de livros pra estudar, dezenas de relatórios pra fazer, horas de aulas pra assistir, e quando chega o tempo reservado pra você, cadê? Sumiu! Por isso, desejo todos os dias a mesma coisa...Tempo, tempo e tempo... Como diria Fernanda Takae, Tempo, tempo, mano e velho, falta um tanto ainda, eu sei! Mas de todas as lembranças, a que mais gosto é uma da qual não contávamos o tempo. Era depois da aula de educação física. Sentávamos e ficávamos horas, conversando, olhando pra nós mesmos e ao nosso redor, nos definindo entre amigos, e depois, horas depois, voltávamos pra levar a bronca da mão, perguntando onde estávamos. Era, sem dúvida, o melhor tempo. O tempo que não contávamos o tempo, nem um pouco, nem mesmo por um instante. Nem mesmo só por contar.

Comentários

  1. BINGO!

    o ar nostálgico me broxou. =P

    mas, em suma, gostei. =)

    o final que o ar nostálgico se revelou de maneira mais esplendorosa, foi que mais me desencantou. mas respondo-o, com uma poesia de viviane mosé:

    quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?

    o tempo andou riscando meu rosto

    com uma navalha fina



    sem raiva nem rancor

    o tempo riscou meu rosto

    com calma



    (eu parei de lutar contra o tempo

    ando exercendo instantes

    acho que ganhei presença)





    acho que a vida anda passando a mão em mim.

    a vida anda passando a mão em mim.

    acho que a vida anda passando.

    a vida anda passando.

    acho que a vida anda.

    a vida anda em mim.

    acho que há vida em mim.

    a vida em mim anda passando.

    acho que a vida anda passando a mão em mim





    e por falar em sexo quem anda me comendo

    é o tempo

    na verdade faz tempo mas eu escondia

    porque ele me pegava à força e por trás



    um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo

    se você tem que me comer

    que seja com o meu consentimento

    e me olhando nos olhos



    acho que ganhei o tempo

    de lá pra cá ele tem sido bom comigo

    dizem que ando até remoçando






    espero que tenha gostado =)

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  2. o melhor tempo é aquele que não consegue determinar a nossa felicidade, por mais que interfira
    é sentir que está no lugar certo e na hora certa, justamente por não ver o tempo passar...
    e quanto mais tentamos medir o tempo, mais burros ficamos em relação a ele.

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  3. O tempo é algo que me surpreende todo tempo. A nossa persepção dele muda a cada segundo. Um minuto já não significa nada, uma hora passa voando, um dia parece que não cabe dentro dele mesmo.
    Tenho também essa sensação de que tudo está acelerado, apertaram o fast do nosso controle remoto e a vida vai passando a passos largos e nós mal conseguimos sentir o que acontece.
    Gostei do seu texto. Amanhã ele já será passado, outro tomará o lugar dele... e assim vai acontecendo com tudo nessa vida!!

    Bjos

    Antenor Thomé
    www.muraldoantena.blogspot.com

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